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Belmiro de Azevedo
Presidente do gigante grupo empresarial Sonae, o mais poderoso grupo económico português, Belmiro de Azevedo é um dos maiores empresários do País. De “enfant terrible” a magnata dos negócios, a trajectória deste homem é imparável. Detém a rede de supermercados Modelo e Continente, o jornal “Público”, a Optimus, além do braço estratégico dos centros comerciais. É o único português a figurar na lista dos homens mais ricos do mundo. Actualmente, está no processo arrojado de lançamento da OPA sobre a Portugal Telecom. “Olha para o mundo como D. João II. Para ele, tudo é conquistável”, diz o jornalista Carlos Magno. O título desta biografia bem poderia ser: “Belmiro, o rebelde de gravata”. O maior empresário português não é o último dos liberais, mas é o primeiro de uma nova cepa. Ao longo dos anos, tem sido um dos maiores agitadores em actividade na cena empresarial portuguesa, mas não faz piquetes nem acena para uma carreira política. Olhar para o rol dos seus negócios é descobrir uma amostra vibrante do trabalho de um homem de convicções. Com uma imensa obra feita, é a prova de que nada é mais importante do que ter poder de intervenção - e não abdicar dele. “Belmiro quer ser grande. É alguém que não se conforma”, afirma o jornalista Carlos Magno. “Ele próprio assume ser abrasivo.” O homem “a quem não deixaram ser industrial”, como Belmiro costuma dizer, tornou-se o principal representante daquela casta rara de empresários que tomam a iniciativa, que correm riscos, que levam a disputa pelo controlo de uma empresa para o mercado, em vez de lá chegar através dos corredores dos ministérios. A distância do poder central não lhe belisca a imensa capacidade de intervir. Diz o que pensa, sem mudar uma vírgula da sua vida. Lança uma OPA sobre a Portugal Telecom que pára o país e domina as conversas de café, mas nada muda nos seus velhos hábitos e nas contas que exige serem sempre certas. Dele, que emprega 60 mil pessoas, factura aos milhões e se expandiu por mais de uma dezena de países, conhecem-se a subida a pulso, os tiques de tio Patinhas, a palavra afiada de quem tem as contas saldadas com tudo e com todos. O resultado está à vista. A Sonae SGPS - com uma capitalização bolsista de 2,6 mil milhões de euros - tem sobrevivido a todas as convulsões do mercado, ao mesmo tempo que algumas competidoras internacionais caem que nem moscas nas malhas da concorrência apertada. “É o mercador dos tempos modernos”, continua Carlos Magno. Belmiro de Azevedo nasceu em Tuias, Marco de Canaveses, em 1938. Filho de uma modista e de um carpinteiro, é o mais velho de oito irmãos. Começou a trabalhar desde muito cedo para pagar a sua licenciatura em Engenharia Química, no Porto. Em 1974 assume a direcção da Sonae - Sociedade Nacional de Estratificados, empresa criada em 1959 e dedicada à fabricação de produtos derivados da madeira, e torna-a num dos maiores grupos económicos portugueses, a que pertencem os supermercados e hipermercados Modelo e Continente. Belmiro é daqueles que prefere preparar-se para enfrentar a concorrência do que reclamar dela. “A maior qualidade de um empresário é a capacidade de antecipação. Belmiro é um homem que não tem medo das rupturas. É isso que faz a sua grande diferença”, diz o empresário Filipe de Botton, presidente da Logoplaste. Ao longo da vida, Belmiro acumulou prestígio que outros só conseguem em sonhos. É presidente e membro de várias associações e conselhos consultivos de universidades portuguesas. É director da Associação para a União Europeia e Monetária. Devido ao império construído, em Janeiro de 2006 foi condecorado com a grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República, Jorge Sampaio. Outro dado essencial da sua biografia: Belmiro de Azevedo é uma espécie de encantador da Bolsa. Desde as famosas sete OPV em fins dos anos 80, quando transformou a federação de PME que era o seu grupo numa floresta de empresas cotadas, até ao “spin-off” da Sonae Indústria em 2005, por variadas vezes Belmiro de Azevedo reformulou a organização do grupo com a preocupação de rentabilizar a relação das empresas com o mercado de capitais. Mas seria redutor considerar Belmiro de Azevedo apenas pela habilidade com que lida com o mercado de capitais, até porque enfrenta uma prova de fogo importante, que é a OPA da Soneacom à PT, em que a formiga se prepara para engolir o elefante. Este género de operações só é possível devido ao seu carácter destemido e a outro traço particular: a capacidade de envolver as equipas para alcançarem objectivos ambiciosos. Belmiro tem uma energia e exuberância raras. Acima de tudo, é um catalizador de vontades. “Um barco do tamanho da Sonae não é, com certeza, gerido apenas por Belmiro de Azevedo. É gerido por toda uma equipa, que ele soube criar, de elevadíssima qualidade”, diz Filipe de Botton. Com a morte de António Champalimaud, Belmiro de Azevedo tornou-se o único português a figurar na famosa lista dos homens mais ricos do mundo, da revista “Forbes”, com um fortuna avaliada em 2,2 mil milhões de dólares (1,85 mil milhões de euros). No “ranking”, é a 350.ª maior fortuna do planeta, numa lista que continua a ser liderada pelo americano Bill Gates, mas subiu 37 lugares em relação ao ano anterior. Esta lista foi divulgada um dia depois de a Sonae SGPS ter anunciado que os lucros subiram 81%, para 512,8 milhões de euros, em 2005. Num período em que muitas grandes empresas desaparecem do mapa, tragadas pela concorrência, Belmiro demonstrou que é possível fazer crescer a instituição em ambiente hostil. Tem um misto de rebeldia e de método. “Ao contrário de outros empresários, muito instintivos, muito sanguíneos, Belmiro é o exemplo do empreendedor cerebral”, diz António de Sousa Cardoso, presidente da Associação de Jovens Empresários. “Foi o empreendedor que antecipou a época do conhecimento. Foi-o antes do tempo.” Esta atitude levou-o a injectar, ao longo da vida, rios de dinheiro na sua conta bancária. De resto, Belmiro gosta das coisas simples da vida, aquelas que o dinheiro não pode comprar - ainda que para ele dinheiro não seja problema. Faz 100 minutos por dia de exercício físico e ao fim da tarde dedica duas horas a leituras. Tenta deixar os problemas no escritório. "Os meus netos não gostam que eu leve, dentro do saco preto, trabalho para casa", afirmou Belmiro de Azevedo ao "Expresso", em Outubro de 2004. Por muito que se diga que não, a verdade é que se apanha sempre uma “bebedeirazita” com o sucesso. Mas Belmiro é capaz de comer uma sandes na tasca da esquina com a mesma simplicidade com que jantaria com Bill Gates no melhor restaurante do mundo.
Fonte:  Grandes Portugueses

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