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Diogo Cão
Chegou onde nenhum outro navegador europeu tinha chegado. Enviado por D. João II, Diogo Cão explorou a costa ocidental africana entre 1482 e 1486. Possuía rara vocação para velejar. Abriu caminho às descobertas do Sul de África que levaram, mais tarde, à passagem do cabo da Boa Esperança pela primeira vez, por Bartolomeu Dias. Introduziu os padrões de pedra, em vez das cruzes de madeira, para assinalar a presença portuguesa nas terras recém-descobertas. “Tinha um espírito tal que hoje é difícil reproduzir na nossa civilização”, diz Ferreira do Amaral, ex-ministro das Obras Públicas. Pouco se sabe sobre a vida de Diogo Cão. A informação é escassa e controversa. Sabe-se que a sua família se tinha instalado em Vila Real e que ele se torna escudeiro da casa real, e que, ao serviço da Coroa, faz viagens de exploração ao longo da costa ocidental de África. Não se sabe ao certo se foram duas ou três as viagens realizadas. O que não deixa margem para dúvidas é a importância das suas navegações. Prepara o caminho para Bartolomeu Dias dobrar, mais tarde, o cabo da Boa Esperança. Lançou-se na descoberta do oceano, à época uma espécie de deserto marítimo - e inexplorado. “Diogo Cão é um homem de origem humilde, que acaba por desempenhar um papel importante na história da Humanidade. Sempre ao serviço do rei D. João II”, admira Joaquim Ferreira do Amaral, ex-ministro das Obras Públicas. “Desbravou mais quilómetros de costa do que qualquer outro navegador até então.” É entre 1482 e 1486 que Diogo Cão faz as duas - ou três - viagens de exploração da costa africana e é, num intervalo entre elas, que o rei D. João II o arma cavaleiro pelas suas descobertas. Diogo Cão alarga os conhecimentos dos Europeus sobre o Sul do continente africano e o Sul do Atlântico, do cabo de Santa Catarina até ao Sudoeste da África (Namíbia). Voava no sonho de chegar sempre mais longe. Fica conhecido como o capitão que patrulhou o golfo da Guiné. Diogo Cão “rasga com uma certa estagnação nas viagens daquela zona”, afirma Joaquim Ferreira do Amaral, o que se deveu a “razões políticas e dificuldades nas técnicas de navegação que Diogo Cão conseguiu ultrapassar”. Em momentos de dificuldade, só a ousadia é mais importante do que o conhecimento. E Diogo Cão tinha-a, para dar e vender. O que Diogo Cão não conseguiu foi passar o cabo da Boa Esperança. “Acaba por ser um antecedente directo de Bartolomeu Dias. Fracassou no seu objectivo mas permitiu, com as suas descobertas, que Bartolomeu atingisse o cone sul de África”, explica Luís Adão da Fonseca, vice-reitor da Universidade Lusíada. Chegou à foz do rio Congo, onde estabeleceu os primeiros contactos com o reino do Congo, ao rio Zaire e continuou até às cataratas de Ielala. Aí gravou, em padrões de pedra, a passagem dos portugueses. “Uma das novidades das navegações de Diogo Cão foi erigir essas pedras. A partir daí, D. João II reconheceu e instituiu esse hábito a todas as terras recém-chegadas”, concretiza a aspirante Catarina Martins, do Gabinete de Investigação do Museu de Marinha. Uma forma de marcar a soberania nacional que, segundo a aspirante, tinha toda a lógica. “Era uma época em que duas nações disputavam o domínio dos mares. Daí também a existência do Tratado de Tordesilhas, celebrado em 1494 entre as coroas castelhana e a portuguesa.” Nos padrões de pedra, Diogo Cão escreveu frases que ficaram imortalizadas, como “Aqui chegaram os navios do rei D. João II”. O navegador sabia que “ninguém ia ler aquilo, mas escreveu para a posteridade”, refere Joaquim Ferreira do Amaral. “Isto demonstra a sua dimensão.” O navegador tem o “grande mérito de ser o homem que explora a costa angolana”, constata Luís Adão da Fonseca. É impossível falar de uma relação Portugal-Angola sem evocar a figura de Diogo Cão. “É ele que estabelece o primeiro contacto com Angola e permite a actual relação entre os dois povos”, lembra Joaquim Ferreira do Amaral. O limite das suas viagens foi a serra Parda, onde se crê que o navegador tenha falecido. “Diogo Cão morreu aí porque nunca mais se ouve falar dele. Não se sabe onde está enterrado, não há sepultura. Deve ter ficado lá”, diz o ex-ministro das Obras Públicas. Diogo Cão mostrou-se digno da confiança do rei. Esteve cerca de dois anos no mar, sem qualquer garantia de sobreviver, simplesmente ao serviço de uma causa. Mostrou inigualável espírito e sentido nacional.
Fonte:  Grandes Portugueses

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