lusonet - o portal lusofono na suiça
  Votações
Survey
Votações
Quem vai ganhar a liga 2009?
Benfica, com 15 pontos de avanço.
Braga, com a ajuda dos Bispos.
SCP, a esperança nunca morre.
FC Porto, mais um penta.
Total de votos: 124
Resultados das votações

Lusonet Cultura - O seu escritor, músico, personalidade favoritos não figura na lista?
Envie-nos a informação.
História
Reis de Portugal
Literatura
Música
Personalidades
Presidentes da Republica
Monumentos Portugueses

Eusebio
Eusébio Idolatria, drama e espectáculo. Um inventário fotográfico das grandes manobras do “Pantera Negra” com a bola seria suficiente para lhe conceder um lugar de relevo na história. O jogo inventado pelos Ingleses adaptava-se na perfeição aos pés deste moçambicano de nascimento e português por eleição. Eusébio levou o País aos píncaros da glória. O perfil do seu talento sem paralelo resume-se a duas condições: técnica e paixão. Uma explosão de natureza que mostra que o instinto é o caminho para a vitória. Basta acreditar. “Se houvesse um olimpo do futebol, Eusébio estaria lá”, diz o fadista João Braga. Eusébio era uma locomotiva em campo. O “génio”, o “rei”, a “lenda”, como tantos lhe chamam, tem um lugar reservado na história de Portugal - e do mundo. O seu trono jamais será usurpado. A sua alegria com a bola era um vírus incurável, a que juntava um talento sublime. No campo, tinha um olhar felino e era inteligentíssimo. Foi em 25 de Janeiro de 1942 que nasceu, num bairro pobre dos arredores de Maputo Eusébio da Silva Ferreira. “Nasceu com um dom”, acredita o cineasta Fernando Lopes. Na realidade, o moçambicano cedo percebeu que o seu futuro estava no futebol. Por isso, tantas vezes faltava à escola para jogar com os amigos na rua. Descalços, com quatro pedras a fazerem de baliza e a pontapearem uma bola de trapos, passavam horas a treinar os melhores passes, remates e fintas. Ao sair das aulas, Eusébio corria para o campo improvisado com fome de golos. Exibia invulgares capacidades físicas: velocidade, potência, colocação de remate, grande sentido de baliza. Eusébio teve uma família humilde, mas muito unida, onde nunca faltou afecto. Diz-se que, da sua mãe, Elisa, herdou um atributo: a bondade. Aos 6 anos, com os seus sete irmãos, ficou órfão de pai. O futebol está-lhe no sangue e, já adolescente, Eusébio teve uma primeira experiência em Os Brasileiros, clube onde permaneceu até ser convidado, aos 15 anos, a entrar para os juniores do Sporting de Lourenço Marques (filial do Sporting Clube de Portugal). Três anos depois, era campeão de Moçambique pelos seniores do mesmo clube. “É, efectivamente, um predestinado”, comenta o cineasta Lauro António. “Um artista com a bola.” Por isso, foi cobiçado pelos mais importantes clubes portugueses. Depois de uma guerra aberta entre o Sporting e o Benfica, o moçambicano acaba por aceitar o convite dos encarnados. A “Pantera Negra” estreia-se nas reservas do clube, frente ao Atlético, no dia 4 de Fevereiro de 1961. “Sou um nortenho assumido e apaixonado, mas, por culpa de Eusébio, sou benfiquista”, admite António Sousa Cardoso, director da Associação de Jovens Empresários. Ainda nesse ano, em 23 de Maio, o Benfica sagrou-se campeão europeu frente ao Real Madrid, com uma vitória histórica por 5-3, dois dos golos pelos pés do novo marcador. Mas Eusébio não se tornou apenas num símbolo benfiquista. Quando passou a vestir a camisola de Portugal, fez o País alcançar metas nunca antes conseguidas. Em 1966, no Mundial de Inglaterra, foi eleito o melhor do Campeonato, com nove golos marcados. “Eusébio fazia tudo em força, em instinto, em improviso. Tinha um poder de arranque em direcção à baliza que empolgava adeptos e, sobretudo, adversários. Rematava quando ninguém estava à espera”, lembra o fadista João Braga, sportinguista e admirador do craque. Além da sua forma felina de chutar: colocava o tronco quase paralelo ao chão. Mais. Sempre foi olímpica a sua atitude de lutar até ao último minuto de jogo. A sua prestação no mundial é para sempre recordada devido às extraordinárias exibições que fez contra a Hungria, a Bulgária e, principalmente, contra a Coreia do Norte. Um jogo impróprio para cardíacos. Portugal ficou com o terceiro lugar no torneio, mas Eusébio sagrou-se campeão. O mundo ficou tão impressionado com o talento do português que o Inter de Milão ofereceu 90 mil contos pela sua transferência. Por interferência de Salazar - que o considerava “património de Estado” -, o negócio nunca se concretizou. Assim se manteve no Benfica. Em 1967 o “rei”, como lhe chama a jornalista Leonor Pinhão, chegou aos 31 golos e foi, pela terceira vez, o melhor marcador nacional. No ano seguinte, foi “bota de ouro” nacional e europeu, com 57 golos marcados. Um feito inacreditável para um jogador que tinha sido quatro vezes operado ao joelho esquerdo. “O que é notável naquele homem é que, sendo modesto, com meios artesanais e sofrendo lesões, consegue atingir os píncaros da fama. Uma fama justa”, admira Marcelo Rebelo de Sousa. Apesar de ter tido uma carreira relativamente curta, marcou 733 golos nos 745 jogos dos campeonatos nacionais em que participou e 41 ao serviço da selecção portuguesa, em 64 partidas. “É um símbolo de sucesso, inteligência em campo, capacidade de concretização, no pé, na cabeça, na marcação de livres e ‘penalties’, nos arranques, na capacidade de se libertar dos adversários. Um dos melhores do mundo!”, afirma Marcelo Rebelo de Sousa. Ao Benfica ofereceu várias glórias. Isso valeu-lhe uma justa homenagem, em 1973, no antigo Estádio da Luz. Com a camisola encarnada, Eusébio conquistou 11 campeonatos nacionais e cinco taças de Portugal. Enquanto jogou, foi distinguido com duas “botas de ouro” e sete “botas de prata”, além de uma “bola de ouro” oferecida pelo “France Football”, troféu internacional de relevante importância. Mesmo no final da sua carreira, nunca perdeu a determinação que sempre o caracterizou. “Foi um jogador como nunca houve outro. É uma imitação da natureza, uma explosão de vida, saúde, beleza, espontaneidade, franqueza”, elogia João Braga. O futebolista conquistou o seu último campeonato na época de 1974-1975, despedindo-se do Benfica no ano seguinte. Jogou ainda no Beira-Mar, União de Tomar e em três clubes norte-americanos. Em 1979 resolveu arrumar as chuteiras. No dia da comemoração do 50.º aniversário, o “Pantera Negra” inaugurou a sua estátua em frente ao Estádio da Luz. Ainda nesse ano, foi celebrada a festa de “consagração nacional a Eusébio”, revelando o afecto do povo português. Com ele, “aprendemos a ser suficientemente grandes e a sermos simples. Só as pessoas simples podem ser grandes”, diz o presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara. Pormenor relevante: Eusébio tem Portugal no coração. Um sentimento visível quando assiste a um jogo da selecção nacional. “Aquela coisa de agarrar a toalha branca e, cada vez que um avançado falha um golo, dobra-se todo… Parece que ao dobrar a toalha, dobra o joelho”, lembra o autarca. Eusébio é hoje uma lenda viva do futebol. É um justo embaixador de Portugal no mundo. Fernando Lopes vai mais longe: “Provavelmente fez mais pelo nome de Portugal do que a maioria dos nossos ministros dos Negócios Estrangeiros.”
Fonte:  Grandes Portugueses

  Afonso de Albuquerque
  Agustina Bessa-Luís
  Álvaro Cunhal
  António Champalimaud
  António de Oliveira de Salazar
  António de Spínola
  Aristides de Sousa Mendes
  Bartolomeu Dias
  Belmiro de Azevedo
  Bocage
  Carlos Lopes
  Diogo Cão
  Duarte Pacheco
  Eduardo Souto de Moura
  EGAS MONIZ
  Eusebio
  FERNÃO DE MAGALHÃES
  FERREIRINHA
  Francisco Costa Gomes
  Francisco de Sá Carneiro
  Gago Coutinho
  Gil Eanes
  Humberto Delgado
  Joaquim Agostinho
  José Mourinho
  Luis Figo
  Manoel de Oliveira
  Maria de Lurdes Pintasilgo Maria de Lurdes Pintasilgo
  Maria Helena VIEIRA DA SILVA
  Maria João Pires
  Mário Soares
  Marquês de Pombal
  Nuno Álvares Pereira
  Otelo Saraiva de Carvalho
  Paula Rego
  Pedro Hispano
  Pedro Nunes
  Maria de Lourdes Pintasilgo
  RAFAEL BORDALO PINHEIRO
  Raul Solnado
  Roberto Ivens
  Sacadura Cabral
  Salgueiro Maia
  Salvador Caetano
  Santa Isabel
  Serpa Pinto
  Teófilo Braga
  Vasco Santana
  Vieira da Silva

© Lusonet.ch