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Luis Figo
É o mais internacional dos jogadores portugueses e um dos mais populares do mundo. Luís Figo representou, desde 1996, as cores de Portugal em todas as fases finais das grandes competições de futebol. Jogou apenas em quatro clubes, o suficiente para fazer parte da elite do futebol. Em 2001 foi considerado pela FIFA o melhor futebolista do planeta. É o português que mais tempo de antena teve nos “media” de todo o mundo. Além disto, criou uma fundação com o objectivo de ajudar jovens através do desporto. “Faz a diferença, tanto em Portugal como no estrangeiro”, diz Zeinal Bava, vice-presidente da Portugal Telecom. Luís Figo é um caso clássico de sucesso numa era em que celebridades de chuteiras fazem fortunas para si, para os seus clubes e patrocinadores. O título da sua biografia bem poderia ser “A ascensão de um craque”. Luís Figo é um dos expoentes máximos de um jogo que emociona milhões de pessoas em todo o mundo. Além de talento, o nome dele é trabalho. Com os seus passes milimétricos, distribui e cria ritmo de jogo. Zeinal Bava, vice-presidente da Portugal Telecom (PT), comparara-o com Vasco da Gama. “Descobriu e abriu novos mundos aos trabalhadores portugueses.” Luís Filipe Madeira Caeiro Figo nasceu em 4 de Novembro de 1972 em Almada. Em criança começou a jogar no Pastilhas, pequeno clube da margem sul. Não demorou até estar na mira dos “olheiros”. Exibia um jogo bonito, com grande eficácia estratégica. Ainda não tinha 10 anos quando foi recrutado pelo Sporting Clube de Portugal. Começou a jogar nos iniciados e foi progredindo até à estreia, em 1989, no escalão principal do futebol português. As exibições levaram-no, pela primeira vez, à selecção nacional. Começou pela equipa de sub-16, onde foi duas vezes campeão da Europa, acabando por ser campeão do mundo pela selecção sub-20. Figo, Rui Costa, Fernando Couto e mais alguns passaram a ser chamados “geração de ouro”. Mas a carreira futebolística de Figo esteve prestes a nem arrancar. A mãe, preocupada com os estudos, não estava de acordo com a veia desportiva do filho. Valeu-lhe o apoio do pai, um benfiquista de gema. Em 1995, Luís Figo fez a sua estreia na alta-roda do futebol europeu, ao ser contratado pelo Barcelona, mítico clube da capital da Catalunha. Demonstrou logo as suas características profissionais. “É um trabalhador aplicado e com grande espírito de sacrifício”, lembra Zeinal Bava. Quando está em campo, só pensa na equipa. Faz tudo para ajudar os colegas a atingir a vitória. A carreira no Barcelona foi recheada de vitórias. Venceu várias vezes o campeonato espanhol, a Taça do Rei e a Taça Europeia dos Vencedores das Taças. Luís Figo tornou-se um símbolo da equipa catalã, idolatrado pelos adeptos. Tudo mudou em 2000, quando assinou contrato com o Real Madrid, naquela que foi a maior transferência do futebol europeu. De um momento para o outro passou a ser objecto do ódio dos adeptos do Barcelona. Mas no Real Madrid, Luís Figo voltou a demonstrar toda a sua classe. Foi precisamente nesse ano que ganhou o primeiro grande prémio internacional, a “bola de ouro” para melhor jogador europeu. No ano seguinte foi considerado, pela FIFA, o melhor jogador do mundo. Venceu mais uma vez o campeonato espanhol e a Liga dos Campeões. No Euro 2004, Luís Figo foi um dos recipientes das esperanças de Portugal. Foi brilhante. Fintou os adversários jogo a jogo até à final de má memória. Com o Europeu terminado, anunciou que faria uma pausa na selecção. Depois de um descanso, regressou a Madrid para recomeçar nova época. Encontrou um clube diferente e um novo treinador, o brasileiro Vanderlei Luxemburgo. O entendimento entre ambos nunca funcionou. Convém lembrar que o último ano no clube madrileno foi extremamente difícil. Aquele que foi a primeira estrela de uma equipa de estrelas (Ronaldo, Zidane, Beckham e companhia) não fazia parte dos planos do treinador. Figo aguentou a pressão, ficou no clube até ao fim do contrato e depois saiu, a custo zero, para o Inter de Milão. Para aquele que é considerado o melhor campeonato do mundo. No clube italiano, voltou a fazer grandes exibições. A escolha não foi inocente. Embora os primeiros meses em Itália tenham sido difíceis, Figo aproveitou esse tempo para recuperar a forma. O esforço impressionou o preparador físico do Inter, Ivan Carminetti. “Nunca vi um jogador treinar como o Figo. Tem 33 anos, já ganhou tudo e é o primeiro a chegar aos treinos e o último a sair. Treina com a vontade de um juvenil e faz todos os exercícios sem um queixume”, disse ele. Figo conquistou a titularidade, a Taça e a Supertaça de Itália. Recuperado o prazer de jogar, decidiu regressar pela última vez à selecção nacional. A uns meses do Campeonato do Mundo de Futebol, o jogador português mais famoso do mundo foi considerado velho e acabado. Mas a história mostrou que era cedo para decretar o fim de um fora de série. Jogou brilhantemente durante o Mundial da Alemanha. De facto, como disse Jorge Valdano, Figo “joga bem mesmo quando parece que joga mal”. Tudo isto com um detalhe de personalidade. Enquanto outros, de inquietação, criam pedras no fígado, Figo parece impassível na gestão do “stress” profissional. É ponderado dentro de campo. É um motivador por excelência. Quando está entusiasmado, entusiasma. No auge dos seus 34 anos, continua o mesmo na essência: competitivo, obcecado pela vitória e avesso à exposição pública. Durante estes 11 anos a jogar em clubes estrangeiros, mostrou ter capacidade excepcional para ver e reproduzir modelos internacionais de sucesso. Ele é a prova acabada de que o ambiente de competição é essencial para a excelência. Se Figo não tivesse ido para o Barcelona, com elevados níveis de exigência, provavelmente não teria chegado onde chegou. Aos leitores mais pessimistas, lamentamos dizer que a felicidade existe, as famílias podem ser unidas e o sucesso acontece. Basta olhar para a vida de Luís Figo para se ter a certeza disto. Suportou com firmeza olhares indiscretos da imprensa mundial e mantém um casamento inspirador no mundo das celebridades. Casou com a modelo sueca Helen Swedin, com quem tem três filhas. Figo não é só discreto na sua vida privada. Também é discreto nos negócios. Mas numa era em que os futebolistas são pagos ao preço de “pop stars”, Luís Figo soube - como poucos - tirar proveito disso. Usufruiu do sucesso da sua imagem para, ao longo dos anos, dar a cara por algumas marcas nacionais e internacionais, em campanhas de publicidade. Marcas como “Coca-Cola”, “Pepsi”, “Nike”, “Galpenergia”, “Delta Cafés”, “Danone”, “BPN” “Tag-Heuer”, entre outras, não perderam a oportunidade de estar associadas a um dos jogadores mais mediáticos do mundo. Para ter uma ideia da dimensão do sucesso - e porque os números contam melhor a história - só por ter sido a cara da “Galpenergia”, a partir de 2002, assinou um contrato anual de cerca de 1 milhão de euros. Quanto aos negócios, sabe-se pouco. Apenas que em tempos teve uma loja de roupa da marca “Guess” (que não resultou), que possui, em conjunto com Paulo China, um bar na Marina de Vilamoura - o Bar 7 - e que também investiu num empreendimento turístico, o Suites Alba Resort & Spa, no Carvoeiro. Além de ter uma relação, entretanto, interrompida, com o Banco Português de Negócios. Tudo o resto, são meras suposições. Mas provavelmente o investimento em que Figo mais se destaca e com o qual está mais envolvido é a Fundação Luís Figo, fundada em 2003, cujo principal objectivo é criar condições e oportunidades para que os jovens mais desfavorecidos possam desenvolver o seu potencial através do desporto. Todos os anos é realizado um jogo com estrelas do futebol e outras celebridades cujo objectivo é angariar fundos para instituições de solidariedade. Mas esta é apenas uma das muitas acções levadas a efeito pela Fundação. Luís Figo não é apenas um exímio jogador de futebol. É um dos embaixadores do Portugal contemporâneo. Representa uma geração que não tem complexos em ir para fora e mostrar competência. “Figo simboliza tudo aquilo que este país deve ser”, remata Zeinal Bava.
Fonte:  Grandes Portugueses

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